domingo, 14 de junho de 2015

VAZIOS

Fugiram todas as palavras...
Foram-se como aves de arribação,
buscar primaveras em outras terras,
calor em outra estação.
Longe o quente de seus ninhos,
triste é a minha mudez...
Na solidão, sem seus vinhos,
de dor é a embriaguez.
Hiberno. Quero acordar,
quando florir as olivas.
Nada a dizer, meu penar,
aguardam voltas festivas!

segunda-feira, 8 de junho de 2015

DECISÃO


Volvo o olhar da terra ao céu,
e um cansaço extremado,
me prostra quase rendida...
Não me entrego, é bela a vida
e imenso o amor que tenho
por estar, viver aqui...
Levanto-me decidida...
Seguirei até o fim...
Farei jus ao que me resta...
Que a vida me negue a si...
Caminhos findem; por mim,
vencerei sem ser vencida!

POR MIM


Pequeno lastro de luz
na escuridão do existir,
acho caminhos sem fim...
Escrevo a história a escolher,
de todos, o que me convém,
apossando do que houver...
Que me compreenda, ninguém...
Basta-me o senso de mim...
Ao existir, digo amém!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

POSSIBILIDADE




Sou como a casa vazia...
Partiram em revoada,
todas as rimas, poesia,
que em mim faziam morada...


Roldana a rolar vadia,
já não alcança o veio da água
e traz o balde sem pio...
Tristeza mansa me afaga...


Talvez nesta noite escura,
uma estrela me sorria...
Talvez incite a ternura,
que esculpe a velha alegria...


Teu rosto em doce torpor,
pela noite se insinue...
Embriague-me de amor...
De feliz, até flutue...




PENSANDO BEM


Perdida no vão da agenda,
entre o que foi concluído,

e o que restará em lenda,

sei que o céu não se remenda...

Pela fenda da janela,
saio da terrível cela...

Limitação que me atrela,

sem a doce liberdade...

Sou somente ser humano...
Preciso de um novo plano

em que eu controle o riso...


O pranto, a dor, cotidiano, 
não me atirem para o insano...


Ralho sim comigo mesma...
Olhando o meu céu engano,

devo mudar direção...


Rolo os dados sobre a mesa,
vou sair desta dureza, 

nem aí, se a sobremesa,

seja o tal, brigadeirão...


ANA MARIA GAZZANEO

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

SOL E LUA



Se é manhã eu acordo...
Visto a roupa de magia...
Do outro lado ele dorme...
Nem suspeita que meu dia,
vai desaguar na tristeza...

Vou dormir, se a noite chega...
Ele argumenta: - Bom dia!
E na distância se ajeita...
Ele a rumar por sua via
eu a sonhar, desta feita...

Quando irá coincidir
noite que será perfeita?
Quando uma data por vir
ele descanse da feita...
Possa comigo, dormir?

Sol e lua pelo cosmo
vivemos do que se possa...
Breve aceno e ele passa,
e eu sonho em algum plano
a noite seja só nossa! 

Ana Maria Gazzaneo

MISTERIOSA








Perdi-me em meu poema...
Já não sei se sou a açucena branca a bailar ao vento,
ou a estrela solitária a iluminar o firmamento.
Talvez seja ambas, nem sei...
Ou nenhuma delas...
Talvez seja a lua, por detrás da cortina,
ou uma rosa amarela...
Talvez nem tenha me perdido...
E só tenha feito fita...
E se nada é certo, quanto ao meu ser exato,
para não alongar,termino,
delonga que me engole, 
nessa hora aflita,
como alguém que brinca e em seu mistério,
te diverte e excita!

Ana Maria Gazzaneo